Introdução:
Seja você um morador, síndico, membro da comissão diretiva ou administrador, este artigo apresentará sugestões de boas práticas, fundamentadas em experiência e certificações na área, para garantir a segurança física e o controle de acesso em condomínios e associações.
Inicialmente, esclarecemos que, para facilitar a comunicação, usaremos o termo "condomínio" para se referir a áreas residenciais urbanas com controle de acesso, delimitadas por barreiras físicas e restritas aos moradores e pessoas autorizadas. Isso inclui associações de moradores, reconhecendo suas diferenças e regimes jurídicos distintos.
Conceito Básico:
Condomínios são espaços onde o interesse coletivo prevalece. Moradores e proprietários devem entender que seus propósitos individuais podem não coincidir com a maioria ao tomar decisões. Antes de escolher viver em condomínios, é crucial compreender essa premissa.
A mentalidade do morador deve alinhar-se aos pilares básicos de viver em condomínio: segurança, aproveitamento de espaços compartilhados, lazer, conforto e valorização do patrimônio.
Desenvolvimento de Segurança:
Para estabelecer um protocolo de segurança completo, envolvendo profissionais especializados, é necessário considerar as variáveis de risco. O conforto do morador é conflitante com o nível de segurança desejado, ou seja, quanto maior o conforto (facilidade e poucos protocolos), menor será o nível de segurança.
A seguir, apresentaremos passo a passo os protocolos para minimizar os riscos no condomínio:
Comissão de segurança: Esta comissão deve ser composta por no mínimo 3 pessoas e com conhecimento ou experiência na área. A comissão deve ouvir especialistas e trazer pautas direcionadas para reuniões e assembleias. Antes de levar um assunto para ser votado, este grupo deve marcar encontros para que os moradores tirem suas dúvidas. A decisão desta comissão é técnica e a efetivação deve passar por votação, de acordo com a legislação em vigor.
Grupos de comunicação tipo “WhatsApp” não são locais adequados para o debate de ideias e projetos. As discussões geralmente não tem nenhum resultado, apenas potencializam polêmicas e não chegam a nenhum consenso.
Todas as pessoas têm direito de opinar e também de tomar conhecimento das ideias. No entanto, sempre levem em consideração a opinião dos especialistas e respeitem a decisão do condomínio.
Laudo de vulnerabilidades: O condomínio deve ter documentado um laudo técnico com a finalidade de mapear todos os riscos envolvidos bem como todos os planos de ação para mitigá-los.
Segurança Física: As barreiras físicas do condomínio devem ter altura adequada, acima de 2,8m, constituídas preferencialmente de alvenaria (alambrado em alguns casos) e não devem ser justapostos aos muros das casas. Estes muros devem ser reforçados em sua base (evitar perfuração) e possuir barreiras em seu topo. Para aumentar o nível de segurança, todo perímetro deve ser monitorado com câmeras (análise de vídeo, sensor noturno e alarmes).
Acessos: Os acessos devem possuir tecnologia de identificação dos usuários, preferencialmente com biometria e entradas distintas para moradores e visitantes. Conforme a necessidade e volume de usuários, uma entrada exclusiva para terceiros deve ser estabelecida. A entrada para os salões de festas devem ser realizadas evitando a circulação dentro do condomínio.
CFTV: Além do monitoramento do perímetro, o condomínio deve ter um circuito de câmeras internas. As câmeras internas tem a finalidade de evitar danos ao patrimônio (vandalismos e disciplina de veículos) além de controlar e monitorar a circulação de terceiros. Também pode solucionar litígios e pontos de conflito. As imagens devem seguir o protocolo de LGPD, com mascaramento de áreas privadas e a cessão de imagens ocorrer apenas com validação do comitê de segurança e equipe jurídica do condomínio. O ideal é que o condomínio tenha uma célula de segurança blindada, com uma equipe de segurança 24h, responsável por respostas rápidas e monitoramento das câmeras.
Equipe de segurança: O condomínio deve buscar ter uma equipe treinada, motivada e com um menor nível de rotatividade. Esta equipe deve ser composta por controladores de acesso e equipe de segurança privada (vigilantes). O condomínio deve estar alinhado com a legislação de segurança e caso decida terceirizar, sempre dar preferência para empresas sólidas, responsáveis e com estrutura de apoio.
Investimentos: O condomínio deve sempre buscar utilizar os recursos com responsabilidade e eficiência. Investir em segurança com projetos a médio e longo prazo é essencial para diluir parcelas e viabilizar as melhorias. Os moradores devem considerar os investimentos como prioridade pois o usuário final das vantagens advindas dos projetos, será sua própria família.
Conclusão:
A segurança do condomínio deve ser um objetivo coletivo, sustentado por uma equipe treinada, normas bem definidas, tecnologia atualizada e barreiras físicas operacionais. Ao seguir esses princípios, é possível criar um ambiente seguro, minimizando os riscos e promovendo a tranquilidade dos moradores.